Tantas mudanças aconteceram socialmente nos últimos 20 anos, a tecnologia, as novas revoluções do conhecimento, a informática, a robótica, a nanotecnologia… Nesse sentido atravessamos um século de inúmeros avanços e descobertas onde a tecnologia e a  ciência  significam cada vez mais em termos de soluções e possibilidades de interação entre as ciências.

É um novo momento da ciência e das organizações sociais e empresarias, que começam a lidar com transformações simultâneas e múltiplas, em espaços de tempo cada vez mais curtos e com sérias implicações nos modos de vida e relações. Nesse caminho, tenho visto muitas pessoas aflitas em meio a tantas mudanças, sem saber que direção tomar e quais as verdadeiras necessidades de adaptação para as novas demandas do trabalho e da vida social, na atualidade.

O termo digital ganhou novos significados e imprimiu outras características à antigos processos e agora dita quase todas as normas das interações empresariais e organizacionais. No seio das interações de gerações, surgem conflitos e formas de ver e agir tão distintas e ao mesmo tempo elas todas são compulsoriamente convidadas a conviver, e construir futuros que nem sabemos como será.
O analógico 
A geração X cresceu ainda no meio do analógico, da concretude e da materialidade das coisas, portanto está se adaptando aos meios digitais e aos estilos de soluções imateriais que as novas tecnologias vem trazendo. É uma adaptação relativamente difícil, pois estão acostumados ao papel, às burocracias clássicas e a processos muito controlados e tempos definidos. Essa geração analógica que ainda está no mercado tem outros valores e , apesar de reconhecer o digital, ainda se ressentem  de não materializar  os processos e soluções, e acreditam que para alcançar a qualidade, uma interação humana é indispensável.
O digital
Das gerações y em diante, incluindo a Z, alpha e Millennials , a virada digital é uma constante e as interações humanas ficam cada vez mais deslocadas das necessidades de trabalho e sociais. Muitas pessoas relatam que não sentem falta de contato humano real  e que a qualidade das interações digitais é igual ou superior às reais. É uma geração que faz quase tudo virtualmente, não sente falta dos papéis e das hierarquias e valida socialmente a imaterialidade e a virtualidade. As pessoas digitais são rápidas, não se prendem a processos e fases e podem facilmente abandonar esforços, se outra possibilidade se mostra viável. No campo do trabalho, os valores quase se confundem com os interesses pessoais, não há planos fixos e nem sentidos de hierarquia, bem como também já é visível certa fragilidade na tomada de decisões.
Tornar-se Digital
É como transitar entre dois mundos, é um desafio assustador e ao mesmo tempo fascinante!Se tornar digital é uma necessidade e tanto quanto é sedutora é também insidiosa, pois vai lentamente minando e resignificando velhos paradigmas , construindo novos para, quase imediatamente, destruí-los e criar outros tão temporários quanto os anteriores. Para as pessoas digitais o termo SER quase não se aplica a nada, e tudo aparentemente ESTÁ.

É um mundo total em transformação e não há necessidade de guardar nada, pois existe uma trêmula certeza de que o que virá, será ainda melhor. Se tornar digital é, em parte, abrir mão de certezas. Crer na efemeridade de todas as coisas como algo natural e necessário, e ao mesmo tempo, não se afligir com partes de coisas que podem eventualmente se conectar em algum ponto, ou como dizia Caetano: Ou não.

Não precisa calma, não precisa totalidade, as partes se bastam a si a e todos e na virtualidade se criam e se modificam, tanto os problemas como as soluções. Tornar-se digital é fazer um mergulho profundo sem cilindro. É nadar na direção do azul profundo, com certezas finas e compridas como a linha de um anzol, com uma pontinha de dúvida de se ao final estará lá o marlim ou a carcaça. Mas é a única linha , parece, que está firme em tantas vozes de modo que quem duvida do digital pode dar um certo ar de antiquado e provinciano, mas no fundo, há ainda necessidades de certezas essa virada.

Tornar-se digital é hoje talvez a coisa que mais aflige as gerações conservadores e os paradigmas clássicos, mas esse tornar-se ao mesmo tempo já fez parte da personalidade de todas as pessoas que estão em processo de transformações digitais, pois elas, de um outro modo e intensidade, já enfrentaram muitas e muitas transformações, e a digital, na verdade é só mais uma, só que dessa vez, a definitiva, a da qual não terá volta. O mais importante é, agora, preparar a mente para, antes de ser digital, ajustar o curso das ideias e o espírito , afinal, são mapas completamente diferentes dos que usavam nossos descobridores! E a mentalidade digital é a fase zero das conversões mais complexas que estão por vir.

Vamos juntos!

Ana Morais

Professora, consultora e pesquisadora em Educação e Trabalho

Publicado originalmente em 11/10/2019

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