foto do perfil @originalbrazil

Competências da BNCC

2. Pensamento Científico, Crítico e Criativo – Exercitar a curiosidade intelectual e recorrer à abordagem própria das ciências, incluindo a investigação, a reflexão, a análise crítica, a imaginação e a criatividade, para investigar causas, elaborar e testar hipóteses, formular e resolver problemas e criar soluções (inclusive tecnológicas) com base nos conhecimentos das diferentes áreas. (Fonte: BNCC)

A contribuição dessa competência para BNCC é imensa. Em primeiro lugar porque finalmente amplia as abordagens de conhecimento da escola tradicional e projeta o ensino-aprendizagem para um lugar mais amplo e complexo, para além da memorização e aplicação de conceitos e conteúdos.

Segundamente, quando falamos em pensamento crítico, damos lugar à reflexão, ao conteúdo contextualizado e às interações entre conteúdos, ciências e as situações sociais onde se desenvolvem os planos de estudos das escolas. Então, mais que entender de geografia, é importante o aluno refletir, questionar e criar a partir de seu lugar social e geográfico.
O pensamento científico não é uma prerrogativa do ensino superior. Muitos de nós só vieram a tomar contato com temas da pesquisa e testar hipóteses durante a graduação ou, pior, na pós graduação. E é muito importante situar as crianças desde pequenas nos contextos da pesquisa, da ciência, da testagem de soluções e criações, fortalecendo suas capacidades e competências, ao mesmo tempo em que se reforça o desenvolvimento das competências de autoestima e auto conceito.

Durante tantas décadas a escola básica foi lugar apenas de reprodução de conteúdos, onde as crianças e jovens repetiam os papéis tradicionais e apenas memorizavam e replicavam conceitos, sem ampliar a visão crítica e sem a possibilidade de criar e descobrir, formulando e problematizando como base para a educação mais evoluída. Era comum inclusive punir as respostas criativas, ou simplesmente anular as respostas que não estavam dentro do conjunto do esperado.

Com a nova Base Nacional e as competências no centro do processo ensino-aprendizagem, a escola se posiciona como lugar de criação, de perguntas e respostas, mas sobretudo, como lugar de questionamento e criticidade, onde o aluno sai do lugar clássico de receptor e passa o ocupar uma nova posição, de questionador criativo e crítico diante das variadas realidades do conhecimento científico e em contrapartida com as questões sociais do entorno da escola e da família. 

A conjuntura entre essas três linhas de pensamento leva a um novo patamar de educação, explorando melhor e com mais qualidade as possibilidades cognitivas dos alunos e possibilitando, através da reflexão, análise e avaliação, o desenvolvimento paralelo de competências não cognitivas, que também estão previstas nas Competências da BNCC.

Na hora em que a escola abre espaço para a criação, a criticidade e o pensamento científico, ela se torna uma fonte estimuladora do raciocínio com a finalidade de buscar soluções inovadoras e novas estratégias para as questões cotidianas ou mais complexas. Muitos autores situam essa competência no uso da curiosidade intelectual, mas ela é muito mais que isso. Ela faz o aluno se sentir CAPAZ de criar, resolver e produzir ciência.
Lembro de meu caso em particular, a minha filha com 5 anos de idade, andando pela casa com um bloquinho de anotações e um lápis. Quando eu perguntei o que ela estava fazendo, ela respondeu sem pestanejar: estou fazendo uma pesquisa. Era ali, naquele momento, que se estava formando o espírito crítico, o pensamento científico e criativo dela!
As crianças não podem esperar para saber que tem o poder de criar e criticar somente quando adultas, seria um atraso incorrigível e uma grande perda para o desenvolvimento social de cada cidade e do país. É nessa competência que nascem os pensadores, os artistas, os criadores e enfim, nasce o que somos todos, críticos e conhecedores da realidade para poder interferir nela e melhorá-la!

Afinal, dentre as principais qualidades dos brasileiros, está a criatividade, a capacidade de formular questões e resolver problemas de forma criativa e inovadora. Faz parte do nosso DNA e agora, faz parte também da Base. 

E finalmente, como disse o Nobel Herbert Simon, o significado de “saber” mudou de lembrar e repetir informações para localizá-las e aplicá-las. E é nesse contexto de novas concepções que re-localizamos o pensamento e o aprendizado.

Ana Morais
Consultora, Executiva de Educação, Professora, especialista em Competências (de verdade!)

Publicado originalmente em 07/11/2019

Deixe um comentário

Get the Book

The ultimate guide for creators: strategies, stories, and tools to help you grow your craft.

Be Part of the Movement

Every week, Jordan shares new tools, fresh perspectives, and creator spotlights—straight to your inbox.

Voltar

Sua mensagem foi enviada

Atenção

Creator Rising: A Playbook for a Meaningful Creative Life is your guide to building
not only income, but a creative life
worth living.

Inside you’ll find systems for sharing your work, habits that fuel inspiration, and ways to grow without losing
the spark that makes you create in the first place.