
Competências da BNCC
1.Conhecimento — Valorizar e utilizar os conhecimentos historicamente construídos sobre o mundo físico, social, cultural e digital para entender e explicar a realidade, continuar aprendendo e colaborar para a construção de uma sociedade justa, democrática e inclusiva. Fonte: MEC
A questão do conhecimento é alvo de variados estudos desde a fundação da humanidade. Como medir o conhecimento na régua do tempo se, afinal, as pessoas aprendem em tempos e formas diferentes? Ideias vindas de Kant, John Locke, Descartes e outros filósofos articularam formulações importantes para a nova escola a partir do pensamento filosófico.
O papel da filosofia é, basicamente, ajudar a entender a vida e as questões humanas, que afligem as pessoas a cada momento histórico. daí que o conhecimento filosófico vem para ajudar a compreender as questões racionais.
Há, então, o conhecimento empírico (experiência) e o científico (estudos e pesquisas). Uma das abordagens mostra que o conhecimento vem da experiência ou vivência, e se torna conhecimento instalado depois da reflexão.A educação básica está voltada para propor a aproximação da criança com a socialização e o conhecimento seja ele pela experiência ou pelo conteúdo.
Essa competência da Base Nacional articula todas as demais competências já que cumpre um dos papéis mais esperados da escolar: oferecer conhecimento às crianças e jovens. Para alcançar o conhecimento é necessário dedicação, curiosidade, espírito de pesquisa e abertura mental para o novo. Naturalmente, durante toda vida escolar, re-visitamos conceitos e possibilidades, testamos conhecimento prévios e validamos hipóteses. é o que se espera da escola, e não nos parece novo que seja a primeira competências das dez elencadas na Base.
Para favorecer a formulação do conhecimento, toda escola deve estimular os alunos a pensar: o que estou aprendendo? para quê? em que posso aplicar os conhecimentos que estou formulando agora ou no futuro?
O afastamento dessas questões foi uma das coisas que afastou a escola da motivação das pessoas em estudar. O conhecimento vem pela vivência, pelo questionamento, pela experiência e pela pesquisa. Não a pesquisa clássica, mas a pesquisa que uma criança de sete anos pode fazer, por exemplo, sobre a arquitetura de sua casa, comparar com as pesquisas dos colegas, dialogar com os professores e estabelecer conexões e possibilidades.
Sem isso, a escola vira um lugar onde os alunos vão apenas para ver “matéria”, conteúdos vazios de significado contemporâneo.
Uma outra coisa importante sobre a escola mais inovadora e vinculada a concepções de educação mais criativas e críticas, é que o aluno já tem seus conhecimentos prévios e inúmeros campos de conhecimento. A partir dele, é possível formular e reformular teorias e aplicações.
Portanto, é aceitável dizer que se vai a escola para ampliar conhecimentos e não para unicamente adquiri-los. Mesmo que uma criança não domine, por exemplo, conceitos e princípios da física, ela compreende movimentos físicos ao estar em um carro ou trem, por exemplo. Basta que a escola aprofunde e dê complexidade aos conhecimentos que a pessoa já traz consigo.
Lembro de experiências que tive na escola e em casa que, através da mediação competente dos professores, pude compreender melhor e aprofundar na escola, usando aproximações teóricas ou vivenciais. A escola é o lugar do conhecimento, mas também da curiosidade, da dívida, do erro e dos acertos, do receio e da ousadia. Sem isso, são só quatro paredes com pessoas dentro passando o tempo!
E como diz Ana Penido, a escola é um lugar de aluno não só responder perguntas, mas também e talvez principalmente, fazê-las!
Ana Morais
Publicado originalmente em 19/09/2019

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